A Inquisição na Espanha
No ano de 1478, o Papa Sixto V assinou uma bula, através da qual foi fundada uma nova inquisição na Espanha. Esta bula se referia às petições dos reis católicos, enfatizando normas quanto à difusão das crenças entre os judeus convertidos ao cristianismo em Castela e Aragão. Centenas de acusados foram detidos e obrigados a renunciar à fé judaica para assumir publicamente a fé católica, tornando-se um novo converso. Entre os cristãos novos encontravam-se os mais ricos e nobres da cidade. Muitos fugiram para outros países, como Portugal e Norte da África, evitando assim, os tribunais da inquisição que os julgaria de infidelidade e heresia.
Em 13 de Março de 1490, a situação se agravou ainda mais contra os judeus. Alguns deles realmente se converteram ao catolicismo. Porém, outros que se diziam conversos, continuavam com suas práticas religiosas em oculto. Muitos se recusavam a aceitar a conversão forçada e fugiam. A pressão da Igreja para que se convertessem crescia cada vez mais e se um judeu aceitasse se batizar no catolicismo, poderia garantir um futuro seguro juntamente com mouros, visigodos e celtas que também habitavam a Península Ibérica. Estes judeus começaram então a sofrer um processo assimilativo, tornando-se cidadãos comuns. No entanto, os demais judeus que assumiram um catolicismo de fachada, tornaram-se vítimas de processos inquisitoriais e cunhados pejorativamente de "Marranos". Estes judeus tinham seus pertences confiscados e seus bens eram vendidos para pagar suas despesas na prisão.
Estima-se que em 1480, mais de mil e quinhentos judeus foram queimados vivos na fogueira, amarrados em estacas como consequência de delações e falsos testemunhos. Os judeus que não confessavam arrependimento eram condenados à morte e os que conseguissem escapar desta condenação pela absolvição, saíam da prisão na mais absoluta miséria.
Após o casamento da rainha de Castela com o rei de Aragão, vários decretos passaram a proibir o judeu converso de ocupar cargos públicos, bem como obter qualquer privilégio do estado espanhol. Finalmente, o decreto de expulsão de 31 de Março de 1492 promulgado pelos reis católicos, passou a obrigar o judeu que não se convertesse a deixar a Espanha em quatro meses.
A Inquisição em Portugal
Até fins do século XV, os judeus viveram em relativa paz social, tanto com celtas e visigodos, quanto com árabes e cristãos, chegando mesmo a alcançar significativas projeções no reino português. Porém, estas relações de boa convivência se deterioraram com a chegada de fugitivos da inquisição espanhola que haviam sido expulsos pelos reis católicos.
O Tribunal do Santo Ofício foi criado em Portugal unicamente por causa da questão judaica, onde os judeus mesmo forçados a adotar o catolicismo continuaram a preservar suas tradições religiosas, filosóficas, éticas e políticas. Oficialmente, o tribunal da inquisição começou no reinado de D. João III e era composto por padres, bispos, clérigos e alguns cristãos de absoluta pureza de sangue. Por se tratar de um cargo muito ambicionado, precisavam cada vez mais de "hereges" para mantê-lo. Para isso, qualquer prática, qualquer palavra ou gesto impróprio poderia ser considerado herético, pois quanto mais hereges fossem denunciados, mais a inquisição sobrevivia e se fortalecia.
Quando a denúncia era feita ao tribunal o acusado era imediatamente preso e seus bens eram confiscados. Era chamado também a algumas audiências onde era coagido a confessar sua culpa, mesmo sendo inocente. Eram torturados e forçados a entregar pais, irmãos, vizinhos e suas mulheres eram atiradas à fogueira, acusadas de feitiçaria.
Entre os portugueses condenados pela inquisição por heresia, encontrava-se Fernão de Pina, cronista-mor do reino e guarda-mor da Torre do Tombo, e também Damião de Góis, historiador e humanista, ambos denunciados e acusados por serem luteranos. Os portugueses, no entanto, foram mais perspicazes que os espanhóis, pois proibiam os judeus de deixar Portugal para não desmantelar a situação financeira e comercial do país, tendo em vista que os judeus em sua maioria eram prósperos. As condenações também foram mais brandas que na Espanha, pois geralmente condenavam os acusados do sexo masculino somente à prisão, poucas vezes condenando-os à morte como os espanhóis.
O braço da inquisição portuguesa estendeu-se também ao Brasil. Os judeus que ali viviam, quando acusados eram julgados e após serem sentenciados eram enviados à Lisboa, onde eram encarcerados por meses ou anos e seus bens eram entregues à Igreja ou à Coroa. Esses judeus acabavam se transformando em mendigos, e muitos deles acabaram sendo levados à loucura.
A Inquisição na França
No século XI, apareceu no Sul da França, o "catarismo" ou "movimento dos albigenses". Os cátaros rejeitavam não somente a face visível da Igreja, mas também instituições como o matrimônio e o serviço militar. Por isso, constituíam grave ameaça não somente à fé cristã, mas também à vida pública.
Apoiados por uma parte do povo e pelo conde de Toulouse, ganharam ainda mais confiança e provocaram diversos tumultos. Em contrapartida, tiveram suas casas destruídas e seus bens confiscados, resultando daí várias revoltas. Em 1242, começou uma guerra que só terminou com a intervenção do exército de Luís IX.
Os hereges cátaros não somente foram punidos, mas também inquiridos pela inquisição. Os condes, barões e as demais autoridades civis já não os podiam ajudar sob pena de perder seus cargos ou ver o interdito lançado sobre suas terras por estarem sujeitos à acusação de catarismo. Assim, o conde Foix que até então, apoiava os cátaros, tornou-se um ardente apoiador da inquisição. Os hereges presos ou abjuravam ou eram entregues ao braço secular que lhes imporia a sanção devida.
Os abusos impostos pela inquisição começaram a causar escândalo e as reclamações chegaram a Felipe, o Belo, que impôs limites às investigações e com sua intervenção restringiu o poder dos inquisidores que não podiam mais decidir nada sem o consentimento de um Bispo. Porém, algum tempo depois, Felipe, o Belo, teve de usar a inquisição contra os Templários, unicamente por caráter político.
A Inquisição na Itália
Em 1542, a inquisição foi restabelecida como órgão oficial da Igreja, revigorada e dirigida por Roma através do Santo Ofício. Seu objetivo era deter com violência o avanço da Reforma Protestante na Europa. Sem poder unificar a Itália, a Igreja pretendia assumir sua alta soberania. O acordo político com Veneza foi primordial para o sucesso de seus planos, entre os quais, sagrar a papa alguns de seus membros, como os papas Pio V e Sixto VI.
Em 1566, Pio V adotou o princípio de que os acusados pela inquisição mesmo sendo absolvidos, poderiam se tornar suspeitos novamente.
Entre os que foram perseguidos pela inquisição em Roma encontrava-se Galileu Galilei, físico italiano que fez numerosas descobertas nos campos da Física e da Astronomia. Suas descobertas e ensinos foram considerados heresia pelos censores romanos, em especial pela tese de que o sol era o centro do universo e que na verdade era a terra que girava ao seu redor. Doente e preso em Roma, combalido e ajoelhado diante dos representantes do papa Urbano VIII, ele leu e assinou sua retratação.
Em 1998, o papa João Paulo II reconheceu os abusos cometido pelos 'filhos' da Igreja católica contra Galilei e pediu perdão em nome da Igreja. No entanto, não reconheceu os erros cometidos pela inquisição contra todos os demais que sofreram seus horrores.
Os artigos desse blog são de direito reservado.
Sua reprodução, parcial ou total, mesmo citando este link,
é proibida sem a autorização do autor.
Plágio é crime e está previsto no Código Penal,
Lei nº 9.610-98 sobre os Direitos Autorais




Nenhum comentário:
Postar um comentário